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Tratado de Teologia

No decorrer dos tempos, os textos sagrados foram reunidos em um só volume, dando origem a um livro denominado bíblia cuja doutrina é na realidade alvo de contradições e divergência de ensinamentos, portanto a exegese correta das Sagradas Escrituras ainda é uma imperiosa necessidade. Tendo em vista esta realidade é o presente opúsculo elaborado a partir de uma compilação dos principais preceitos bíblicos, pensamento de Baruch Spinoza e Orígenes à respeito, arautos deste estudo, além do posicionamento doutrinário do autor, cujo objetivo é obter um só pensamento acerca de Hermenêutica Bíblica.

Aconteceu que, a rebeldia e não observância de preceitos e mandamentos acerca da interpretação  deu origem a doutrinas contrárias e deturpadoras que se manifestam através de notórios cultos e orações tradicionais, ensinam preceitos humanos, na realidade invalidam os mandamentos para estabeleceram suas tradições. Não entenderam que para obter-se um entendimento daquilo que se deduz por análises e comparações no estudo dos textos, é necessário o cumprimento dos mandamentos.

Análises e comparações dos textos sagrados

Conforme o prólogo do livro do Eclesiástico:- as palavras hebraicas perdem sua força quando traduzidas em língua estrangeira, pois a lei, os profetas  e os outros escritos são, quando traduzidos, muito diferentes do que no texto original, daí a necessidade também  de um estudo comparado como na obra Hexapla de Orígenes e como na pedra de Roseta onde a disposição dos textos possibilitou o entendimento de hieróglifos egípcios e demótico em confronto com o idioma grego. No Brasil, uma só raiz é conhecida por três denominações: mandioca, macaxeira e aipim. Daí a necessidade de haver várias traduções que possibilitem um estudo comparado para um entendimento particular de cada grupo de pessoas de uma determinada região. Com todo respeito aos vários estudiosos de teologia, uma única tradução nos dias de hoje, por exemplo: em hebraico, só se tornaria inteligível para aquele povo.

Principais Preceitos Sagrados.

Antes de tudo sabei que nenhuma profecia das escrituras é de particular interpretação. Nela há algumas coisas difíceis de entender que pessoas ignorantes e não ensinadas estão deturpando. Portanto vede que ninguém vos engane por meio de filosofia inútil e enganadora( referente  à doutrina das escrituras), segundo as tradições humanas, segundo os elementos do mundo. No caminho (da leitura) das escrituras ( com a mente), não andeis mais como as gentes que andam na vaidade de seus pensamentos pois, procurando estabelecer sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus. Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos são os meus caminhos, diz o Senhor, portanto não sejam mais levados ao sabor de todo vento de doutrina, pela malignidade dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Antes, à lei e ao testemunho é que se deve recorrer. Estudarás, preceito sobre preceito; regra sobre regra, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali. ( Bíblia Sagrada).

Baruch Spinoza e a interpretação das Escrituras

É princípio fundamental de Spinoza que a bíblia só deve ser interpretada no contexto da própria bíblia, e de modo algum pela vontade racional da filosofia. Rejeitou as interpretações tradicionais das Escrituras. Criticou os dogmas rígidos e rituais sem sentido. No Tratado Teológico Político defende uma interpretação da bíblia diferente da visão dogmática de judeus e cristãos, diz que a bíblia está no sentido figurado.

Orígenes e a interpretação das Escrituras

Orígenes, num imenso esforço por assegurar a base textual da bíblia, criou a primeira versão crítica do antigo Testamento, a Hexapla: juntou  o texto dos LXX ( versão dos setentas) com outras três versões mais difundidas e reuniu todas estas versões e colocou-as em seis colunas paralelas, juntamente com o texto hebreu em caracteres hebraicos e outra com o texto hebraico em caracteres gregos, formando ao todo seis colunas. Estudando os textos desta forma chegou ao sentido real da mensagem de Deus, ou seja, pode ver a verdade escondida por detrás da letra.

Conclusão

A Bíblia e Baruch Spinoza concordam: o estudo bíblico tem de ser efetuado em conformidade com os ditames mandamentais, ou seja, só deve haver interpretação a partir  do contexto da própria bíblia. Orígenes além deste ponto de vista instrui no sentido de que este estudo seja em comparação com outros textos e, finalmente o autor sugere que seja aproveitada as várias versões existentes,  já traduzidas.

Versões Bíblicas

Aquilo que foi verdadeiro sacrifício no passado, tornou-se algo extremamente fácil para sua elaboração nos tempos atuais, face a tecnologia da computação. Podemos reunir textos de diferentes versões encontradas em CD-ROM já traduzidas na língua pátria e dispor em quantas colunas se fizerem necessárias.

Atualmente temos uma quantidade razoável de versões e, a título de exemplo podemos citar dentre as mais conhecidas: - as versões da Editora Paulinas, as versões da Editora Paulus, da Editora Sociedade Bíblica Brasileira, da editora Vozes, da Editora Abril, da Editora Santuário, da Editora Ave Maria, da Editora Mundo Cristão, da Editora Novo Mundo, da editora Edelbra, da Editora Barsa, da Editora Católica, a versão de André Chouraqui; cujos textos  podem ser utilizados para disposição em colunas e desta forma elaborar-se um estudo comparado.

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Orígenes -Geldes de Campos

Orígenes- Carlos Antonio Guimarães

Baruch Spinoza e Roberto Smith

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